terça-feira, 3 de novembro de 2026

Guerra Santa

A derrota da soberania

Guerra Santa

Paulo Ademir Braun

Guerra Santa

A morte da verdade, na verdade não é um fato, mas um retrato de um povo que se deixa iludir com narrativas mentirosas. Mais de 90% do povo brasileiro sustenta um padrão de crença. Crença é a vulnerabilidade da verdade. A crença é a aversão ou o abandono da razão. O capitalismo vende muito caro a isca da ilusão. A direita aceita ou se aproveita e acolhe esse eleitorado, capturado pela frustração, medo e ressentimento.

As religiões sempre foram instrumentos de dominação, por isso os Estados Unidos planejou e apoiou a disseminação das religiões evangélicas (192 religiões são criadas todos os dias. Já são quase 200 mil religiões no Brasil), e a teologia do domínio, num tentativa bem sucedida de acabar com a teologia da libertação, que tinha o objetivo de libertar as pessoas através do “conhecimento”. 

Esse plano foi tão bem executado que temos uma involução ou a primeira geração mais burra do que os pais, em toda a história da humanidade. O Estado Laico foi o maior avanço que a civilidade conseguiu. Estamos na eminência de um retrocesso infernal, com governos fundamentalistas e um estado teocrático. A população é tão facilmente manipulado pela crença que bandido de nascença dispensa liturgia e propõe a sentença: meu primeiro ato será decretar que o Brasil será de jesus. 

O apito de cachorro chamou a religião para o centro desta eleição e o que espanta nessa guerra santa são as brigas de narrativas nas mídias e nos tribunais. Isso só satisfaz quem orienta a briga. Os Estados Unidos tem a agência de inteligência e o poder de interferência. Enquanto a cachorrada ladra, vai passando a carruagem e ninguém presta a atenção ao que interessa. A Soberania Nacional que deveria estar no centro das discussões. A disputa desta eleição é a soberania nacional. Ninguém está prestando atenção porque o grosso da população é refém de religião. 

O Estado Laico foi o maior avanço na história da humanidade. O estado teocrático foi o mais assassino da história. A guerra dos 30 anos conhecida como guerra santa, foi a guerra mais sangrenta da história. O Estado Laico te dá direito ao voto, ainda. Mas não dá pra facilitar. Toda vez que você vota em quem usa a religião, na eleição, você acende um tição na fogueira do inferno.  A guerra santa durou só 30 anos. O inferno é eterno


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Paulo Ademir Braun

Sou colunista e cronista. Escrevo sobre memória, cultura e a vida na fronteira do Sul. Publico também no portal Mídia Sudoeste.

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